Estamos acostumados a ouvir que a depressão é o “mal do século”, mas será que esta expressão esta correta? Convido você á refletir um pouco sobre este transtorno emocional que acomete milhares de pessoas ao redor do mundo. Segundo os dados oferecidos pelo IBGE, a depressão atinge cerca de 7% da população mundial, e embora 7% pareça ser um dado inexpressivo, essa porcentagem representa cerca de 400 milhões de pessoas, e quando se trata da realidade brasileira, a depressão atinge 7,6% de brasileiros, representando cerca de 11 milhões de pessoas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a depressão como a doença mais incapacitante do mundo, e talvez esta informação possa nos dar um panorama ainda maior, em relação à gravidade de possuir um transtorno emocional. Pois, muitas pessoas ainda acreditam que a depressão está associada a um estado de espírito, a uma falta de otimismo ou de pensar positivo, além de não verem a depressão como uma doença, tal qual o câncer, por exemplo, e associá-la a “frescura”, ou a “necessidade de chamar atenção”, no entanto, como vimos anteriormente, a depressão é considerada como a doença mais incapacitante do mundo, ou seja, não trata-se de uma escolha, e sim, de uma doença, como qualquer outra.

E devido a esta dificuldade de encaramos a depressão como uma doença, muitas vezes, algumas pessoas passam anos sofrendo com o impacto do transtorno, sem se quer receber um diagnóstico, e ter condições de realizar um tratamento adequado para a mesma. Mas, voltando ao nosso questionamento inicial, a depressão é o “mal do nosso século?”.

Se fizermos uma análise da perspectiva histórica do ser humano, segundo a proposta do saudoso Prof. Ryad Simon, que atuava no departamento de Psicologia da USP, ao nascer, os fatores internos e externos ao indivíduo são geralmente positivos, mantendo o sujeito com força de vida, e com oportunidades favoráveis, desde que os fatores não se inclinem para o lado negativo,  para as perdas e dificuldades, no entanto, a medida que os anos passam, as pessoas crescem e começam a enfrentar dificuldades, as forças de vida se reduzem, de forma que o vigor físico e psíquico se debilitam.

Assim, os fatores externos positivos se reduzem, e começam a ocorrer as perdas afetivas e materiais, logo, as pessoas vivenciam dificuldades muito maiores para elaborarem seus conflitos, favorecendo a possibilidade do desenvolvimento dos quadros depressivos.

Portanto, podemos concluir, que a depressão não seria “o mal do século”, ela seria o “mal de todos os tempos”, apenas, atualmente estaria sendo melhor diagnosticada, pois tem atingido um número maior de pessoas ao redor do mundo, provocando prejuízos cada vez maiores, tanto emocional, quanto financeiro, pois as pessoas estão ficando mais incapacitadas para o trabalho.

Termino esta reflexão ratificando que a depressão tem cura, assim como muitos transtornos emocionais, desde que seja encarada como uma doença, tal que ela é, sendo realizados acompanhamentos específicos para a doença, com o suporte de um Psiquiatra, um Psicólogo, ou uma equipe multidisciplinar com vários profissionais da saúde, que possam acompanhar o caso de perto, e favorecer o andamento desta jornada em busca da cura, ou da manutenção de uma vida com mais qualidade.

 

Psicóloga Aline Costa
Psicóloga Clínica, Palestrante, Mestre em Psicologia da Saúde, Pesquisadora Capes e Coach.
CRP: 06/126231